4 de dezembro de 2009

Hoje soltei as asas para ir entregar um beijo.
Transpus as minhas leis ,
e salpiquei de saudade todas as pontes,
numa trajetória que se quis momento.
Numa partilha que nasceu da palavra
e que me sabe a sorriso-esperança

3 de dezembro de 2009

Como dizer ?
Como dizer, sem dizer
Que tudo o que quero é você ?
Que fecho os meus olhos e te vejo,
Que te respiro a cada inspiração
Que te sinto ainda...
Como dizer, sem falar
Que é o caminho que traço
É o chão que piso em cada passo que dou?
Não te sei explicar como ainda te tenho
Mesmo depois de teres saído de mim...
Talvez você julgue que saiu de mim,
Pensas que me deixou,
Que se ausenta da minha vida e das minhas memórias
Mas a verdade é que permaneces aqui
Cada vez mais vivo
Cada vez mais meu
E mesmo sem te ver, vejo-te,
E mesmo sem te ter, toco-te,
E mesmo sem me tocares, sinto-te...
Como dizer ?
Como lhe faço acreditar que também eu estou em você ?
Que também eu permaneço no seu caminho,
Os caminhos que um dia deixarão de ser paralelos...
LAMBER AS LÁGRIMAS, SARAR AS FERIDAS
E AMANHECER

2 de dezembro de 2009

Dialogo de despedida de uma paixão

_Vou-me embora hoje.
Ele olhou-a demoradamente, mas não disse nada .
_ Não te despedes de mim?
Ele continuou a olhá-la, sem dizer palavra.
O que dizer quando o coração nega a partida?
_ Vou levar-te comigo na alma.
Ela então chorou. E quis ficar com ele, escondida no fundo dos seus olhos ou nas palmas das suas mãos.
_ Adoro quando me lança olhares. Parece que queimo, que me inflamo ao teu toque.
E ele olhou-me mais uma vez. Como se fosse a última. E era mesmo.

Sim.

Acho que daria tudo
para estar de novo contigo.

Retorno a casa dos avós



Fui às águas-furtadas do meu passado e
encontrei um aroma a canela e erva-doce,
um jardim de musgo onde escorreguei nos sorrisos
e onde havia o sumo leitoso das mangas...
Vesti-me lentamente, espreitei as açucenas da avó
e regressei a casa com mel nos lábios e barro nos sapatos.
Da próxima irei descalça e levarei uma cesta nos olhos...
quero trazer nas pupilas o doce.

1 de dezembro de 2009

Deixaste o amor em desalinho
no chão da minha alma
_desmanchada.
Há que pegar nele devagarinho
e soprar-lhe sorrisos,
deixá-lo descompassado
com um renascer de carinho,
para que de novo me nasçam
borboletas na barriga.