8 de março de 2010

"Outra noite
quando fizer amor contigo
e ao pressionares tua barriga
contra o suor de meu umbigo
talvez... as coisas perderão
um pouco do sentido;
talvez... eu te deixe em silêncio
ao beber teus sussurros ...gemidos
Ao alcançar teu céu
Perdi meu chão..."

7 de março de 2010


É necessário ter o caos aqui dentro para gerar uma estrela...
Friedrich Nietzsche

Não sei me definir, até porque o que me definia ontem não me serve mais hoje.
Eu mudo conforme o vento, sou altamente adaptável.
Adoro setembro, outubro, novembro, adoro sol...
Adoro o calor e o sorriso fácil que ele provoca.
Sou feliz com pequenas coisas.
Sou feliz agora e com muitas razões pra isso!
Sou feliz porque eu estou sentindo que o tempo de hibernar acabou!
Cansei de ser urso... virei borboleta!"


Foi assim que escolhi viver minha vida: com o olhar inocente, de quem de tudo e de todos espera grandes coisas. Alimentando sempre a, talvez tola, certeza de que "não pode ser tão mal assim".

Nas tardes cinzentas o coração
balança entre a paz e a inquietação,
porque a calma e o silêncio inquietam.
A vida sempre pára numa tarde assim...
É como se tudo congelasse.
Numa tarde assim,
não há senão uma coisa a fazer: contemplar

Hoje estou imensamente triste. Quem me manda parar para pensar um pouco? E quem manda os outros darem palpites? Hoje disseram-me que tenho que parar de ser nostálgica e saudosista, que já é tempo de ‘arranjar’ alguém. Não compreendem o quanto me magoa, apesar de eu me mostrar quase altiva e dizer que estou muito bem assim. Até parece que uma pessoa é obrigada a ter alguém. Não é. Já me basta a falta que tenho de um companheiro, não preciso que me venham com imposições. Sinto falta de afeto, daquele companheiro-amigo-amante e mais-que-tudo a quem mando uma mensagem muito feliz porque acabei um projeto, a quem conto tudo e mais alguma coisa _ porque ele se interessa. Porque ele quer saber o que almocei, como correram as aulas, tantas coisas! Aquelas coisas que nem sempre falamos com os amigos. Essencialmente isso. Aquelas pequenas coisas do dia-a-dia que só o outro quer saber. Porque não há outro. São ambos um.
Eu tenho saudades de estar apaixonada. Muitas. De ter o peito a bater, de rir e chorar, de ter alegrias e tristezas de mãos dadas. Talvez precise apenas de tempo e que me deixem em paz com o que é socialmente correto. Eu tenho receio que não me entendam os sonhos, que não saibam cuidar da minha sensibilidade e aturar os meus defeitos. Sei que os tenho. Mas quero que gostem de mim como sou, impulsiva, explosiva... Sei que interrompo imensas conversas porque me lembro de algo parecido que também me aconteceu ou que aconteceu a alguém que eu conheço – fui habituada a ter que explicar tudo bem explicado e a usar muito os parênteses.
Eu não sou perfeita, mas considero-me uma pessoa agradável. O Bruno diz que é fácil alguém sentir-se cativado por mim. Fiquei feliz por ouvir isso, porque eu preciso tanto das pessoas, dos sorrisos, dos abraços... e é mais fácil ter tudo isso quando conseguimos cativar. Não posso me queixar da vida não estar a correr como a sonhei. Apenas não está a ser o conto de fadas que previ e promulguei como lei para a minha vida afetiva. O meu castelo por vezes parece que desmorona. Mas eu continuo cá dentro, a cuidar dos arremessos nas muralhas. E talvez um dia finalmente tenha quem saiba cuidar de tudo isto ao meu lado e que não se vá embora, que fique para lá do tempo e da memória, para que um dia os nossos descendentes possam contar : aqui viveram dois frutos de um amor que ainda não tinha sido inventado.

E isso é tudo o que eu preciso hoje...
Uma linda tarde de sol,
meus chinelos e minha música preferida...